domingo, 28 de fevereiro de 2016

Will Eisner foi figura central no movimento de fazer quadrinhos mais sérios e adultos


Se você tem algum conhecimento sobre a trajetória das histórias em quadrinhos através do tempo, certamente já deve se ter deparado com a informação de que Will Eisner, com a sua obra Um Contrato com Deus e Outras História de Cortiço, inaugurou a tradição das graphic novels. Aqui o termo é encarado como uma espécie de marco da transformação das HQ's de algo predominantemente voltado às crianças em algo de relevância artística. Seria como se os quadrinhos tivessem saído da adolescência e atingido a idade adulta e ganhado maturidade. 

Hoje, já se contesta muito se foi Eisner mesmo quem deu origem às narrativas gráficas, sobretudo se tivermos em vista o cenário dos quadrinhos europeus com a revista A Suivre e sua proposta de "bande dessinée adulte". Independentemente disso, é certo que Eisner inegavelmente foi um dos principais vetores do movimento graphic novel ao estampar essa expressão na capa de seu Um Contrato Com Deus, mesmo que ele não tenha alcançado a época grande sucesso. E esse tardio sucesso da obra se deve, pelo menos em parte, ao total desconhecimento da livrarias quanto ao material que tinham em mãos. Até que descobrissem, a obra foi alocado em seções tão díspares quanto literatura religiosa e publicações humorísticas

A obra consiste em quatro contos independentes que compartilham o mesmo ambiente: a Avenida Droopsie. Aliás, se levarmos em conta a ambientação, essa obra viria a formar uma trilogia com outras duas A Força da Vida (1988) e Avenida Droopsie: A Vizinhança (1995), que também se passam na mencionada avenida. Em todas elas, os becos e cortiços do lugar constituem um personagem autônomo, tão desenvolvido e profundo como qualquer outro. Mas em O Contrato com Deus o foco no ambiente é menor e Eisner centraliza suas atenções no elemento humano.

No conto "Um Contrato com Deus" acompanhamos a história de Frimme Hersh, cuja fé foi totalmente destruída por causa da morte de sua filha, pois Deus teria descumprido um contrato firmado com ele quando ele ainda era jovem. Enquanto Hersh dedicaria a sua vida para fazer o bem, Deus precisaria protegê-lo de todo o mal. Mas a tragédia com sua filha fez dele outra pessoa, transformando-o em uma pessoa amarga e aproveitadora. Esse novo estilo de vida fez dele um magnata, com dinheiro suficiente para prometer uma grande monta de dinheiro para uma sinagoga, em troco de os rabinos forjassem um novo contrato dele com Deus, dessa vez com a benção "oficial".

O que poucos sabem é que essa história é quase autobiográfica. Eisner a escreveu como uma forma de exorcizar os seus próprios demônios internos, uma vez que sua única filha morreu de leucemia aos 16 anos. Para ele, o conto serviu com uma forma de eliminar a "raiva contra uma divindade que eu acreditava que havia violado a minha fé" (CHUMACHER, Michael. Will Eisner: um sonhador nos quadrinhos. São Paulo: Globo, 2013).

Artisticamente, pode se escrever muito sobre o que representou a obra para os quadrinhos em geral. Para fins desse singelo texto, enfatizo a intenção de Eisner dar o máximo de unidade entre texto e imagem. Para tanto, empreendeu várias medidas como fazer muito uso de quadros sem borda, texto pendurado no próprio cenário (fazendo menos uso de balões), além de dispensar a colorização, fazendo com que texto e imagem tivessem a mesma identificação visual (reforçando a unicidade entre tais elementos). Para maiores informações sobre essa obra que é uma das mais fundamentais dos quadrinhos, recomendo fortemente a leitura do livro Will Eisner: um sonhador em quadrinhos, de Michael Chumacher.

Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço
A Contract with God and Other Tenement Stories
***** 10
Baronet Books | outubro de 1978
Devir | maio de 2007
Roteiro e Arte: Will Eisner

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Eu li... Hulk Contra o Mundo

World War Hulk #1-5 | Marvel (2007-2008) | Salvat (nov/2014) | Roteiro Greg Pak | Arte John Romita Jr. | Arte-final Klaus Janson | Cores Christina Strain

Hulk Contra o Mundo é a continuação direta da aclamada Planeta Hulk, que contou a saga do Gigante Esmeralda após ser exilado no planeta Skaar, quando passou da condição de escravo a rei. Claro que o seu retorno à Terra não deixaria de ser publicado com pompa. Afinal, nunca o herói esteve tão furioso. Paradoxalmente, apesar de todo ódio que nutria por aqueles que o exilaram, Hulk nunca esteve tão seguro de seus atos. Toda a destruição que ele causa foi friamente pensada. E é sobre esse aparente contradição (e também sobre incontáveis batalhas e explosões) que Pak construiu sua história. Embora a HQ seja um marco importante na cronologia de Hulk, ela oferece pouco mais do que uma leitura descompromissada.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Apesar do bom argumento, Millar peca pela falta de sutileza


Chamado no Brasil de Túnel do Tempo, Elseworlds é o selo que a DC colocava nas suas publicações que não eram alinhadas com a cronologia oficial da editora. Hoje em dia ela caiu em desuso. Foi no final dos anos 90 e início dos anos 2000 que ela teve o seu auge com obras clássicas como Gothan City 1889, Liga da Justiça - O Prego e Robin 3000. Superman - Entre a Foice e o Martelo lançado em 2003 nos EUA em três edições é outra obra de sucesso desse selo e muito ansiada pelos leitores brasileiros, que desde 2006 não a vê sendo publicada por aqui.

A força da obra começa pela sua premissa: como seria o mundo se, ao invés de ter caído nos EUA, Superman tivesse caído no território da União Soviética em plena Guerra Fria. Mark Millar então erige do zero a sua versão do homem de aço soviético, bem como todas as implicações a partir desse fato. Mas não fica só nisso, Millar também se preocupa em dar sua versão para diversos outros heróis e vilões DC a partir desse paradigma. Por trás desse plot, fica subentendido a centralidade que Superman exerce em todos os heróis da editora, como se todos gravitassem ao redor de sua influência. Isso reforça a fama do Azulão como o primeiro herói, uma vez que alterar suas origens acarreta mudanças profundas em todos os outros personagens da casa.

Vemos aqui não só o nascimento de um Superman muito mais político que o original, que se vê (ainda que a contragosto) no comando da nação. Assim vemos também o nascimento de um Batman soviético, idealizado para combater o totalitarismo do regime; de uma Mulher-Maravilha, inicialmente engajada no plano de pacificar o globo sob a batuta de Superman, mas que se transforma numa das maiores críticas do regime; e de um Lanterna Verde, comprometido com o plano de Lex Luthor em finalmente vencer a ameaça do herói de vermelho. Lex Luthor, aliás, é o grande contraponto do suposto heroísmo praticado pelo Homem de Aço. Ele aqui continua fazendo as vezes de vilão, mas seu comprometimento em derrubar o sonho megalomaníaco de controlar tudo e a todos consegue uma certa simpatia do leitor, que anseia pelos confrontos entre Lex e Kal-El.

O grande problema da obra, apesar das diversas boas sacadas que a permeiam do começo ao fim, é a falta de sutileza de Mark Millar no texto. Sua escrita é pesada e, de certa forma, espalhafatosa demais. Falta um refinamento em desenvolver os conceitos trazidos a baila e que os deixariam muito melhores. Lex, por exemplo, tem que a todo tempo ser um canalha completo, afinal ele é um vilão e precisa fazer maldades. Para demonstrar sua inteligência acima da média, Lex sempre fala que está jogando xadrez com 7 pessoas diferentes ao mesmo tempo e lê cinco livros numa manhã. Superman é um sujeito controlador, por isso Millar precisava deixar isso escancarado na cara de todos ao mostrar pessoas controladas mentalmente por um aparelho cravado no meio do crânio.

Vez ou outra, esse artifício passa até despercebido, mas ver isso sendo feito a todo momento me cansou um pouco. Pelo menos, Millar não exagerou nos clichês históricos sobre a Guerra Fria e retratou o lado soviético com justeza, sem cair na armadilha de glorificar o lado americano e esculachar o modelo soviético. É um tema até hoje espinhoso e tratá-lo sem cometer excessos exige certa habilidade.

Superman - Entre a Foice e o Martelo
Superman Red Son #1-3
**** 8,0
DC | agosto a outubro de 2003
Panini | junho de 2006
Roteiro: Mark Millar
Arte: Dave Johnson e Kilian Plunkett
Arte-final: Andrew C. Robinson e Walden Wong

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Eu li... Violent Cases

Titan Books (out/1987) | Aleph (set/2014) | Roteiro Neil Gaiman | Arte Dave McKean

É uma leitura curta, mas Violent Cases é o que podemos convencionar chamar de obra densa. Quem não ficou pelo menos tentando em ler a obra uma segunda vez talvez não tenha percebido a profundidade da obra de Gaiman e McKean. O que mais impressiona nesse trabalho da dupla é o toque de simplicidade. Não se trata de uma história mirabolante ou extraordinária. Trata-se das memórias da infância de um garoto comum diante de um acontecimento excitante, cuja real dimensão foi compreendida apenas muito tempo depois. A arte de McKean é perfeita para transmitir essa ambientação incerta, dúbia e volátil inerente à memória. Sem ela, talvez o resultado pretendido por Gaiman não tivesse sido alcançado.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Inédita no Brasil, "A History of Violence" expõe nossa fragilidade diante da violência


Na época do lançamento do filme Marcas de Violência, de David Cronenberg, eu não fazia ideia de que se tratava de uma adaptação de um quadrinho. Nem mesmo o diretor fazia ideia disso, pelo menos não até o longa receber uma indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado. Esse desconhecimento é bastante compreensível no Brasil, já que a obra de John Wagner (Juiz Dredd) e Vince Locke (Sandman) nunca foi aqui lançada, ao contrário de outra obra do selo Paradox também adaptada com sucesso para o cinema, Estrada da Perdição, lançada por aqui pela editora Via Lettera.

A History of Violence conta a história de Tom McKenna, um pacato dono de uma lanchonete cuja rotina é alterada drasticamente após impedir com as próprias mãos que seu comércio fosse assaltado, matando um dos bandidos e rendendo o outro. Devido a exposição do caso pela mídia, ele é reconhecido por membros da máfia de Nova York como um antigo desafeto, cujas contas ainda estão para serem acertadas.

O quadrinhos aborda bem, pelo menos no início, o quanto estamos sujeitos a ter nossas vidas transformadas do dia pela noite por eventos tão extraordinários, quanto aleatórios. Nenhum de nós está seguro suficiente para afirmar estar livre de situações bizarras como a que Tom McKenna se meteu. A introdução de John Wagner para a edição aborda justamente esse aspecto da trama: pessoas comuns apanhadas em situações extraordinárias. Ninguém está a salvo, e esse é o preço de se viver em uma sociedade tão violenta quanto a nossa.

Já a segunda parte da trama foca no elemento violência, mais precisamente nessa cadeia de atos violentos que une as mais variadas pessoas, inclusive através dos tempos. Wagner retrata esse mal como uma espécie de vírus, que passa de pessoa para pessoa e nunca para. Essa é a história de violência, algo que transcende o tempo, ao ponto de se tornar elementos formador de uma sociedade. Uma vez que você se permite ser parte agente dessa história de violência, ela vai persegui-lo pela vida toda, por mais que você sinta livre de sua influência.

O filme de Cronenberg segue outros rumos se comparado com a HQ que o inspirou, por isso, se você viu o filme, não deixe de ler a HQ. Se no filme vemos uma trama mais focada na família do protagonista, esmiuçando os reflexos dessa tragédia entre seus membros, o quadrinho preferiu trabalhar mais no embate entre McKenna e os mafiosos que buscam vingança. Mas, talvez o mais importante, leia para apreciar a fantástica arte de Vince Locke.

A History of Violence
***** 9,0
Paradox | maio de 1997
Roteiro: John Wagner
Arte: Vince Locke

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Eu li... Fury

Fury #1-6 | Marvel (nov/2001-abr/2002) | Roteiro Garth Ennis | Arte Darrick Robertson | Arte-final Jimmy Palmiotti

Depois de Hellblazer e Preacher, sabia-se o que esperar de Garth Ennis quando ele assumiu as histórias de Justiceiro e Nick Fury na Marvel no começo dos anos 2000: muito sangue e humor negro. Desde então, Fury ganhou algumas minisséries escritas pelas mãos do roteirista. Nessa mini, ele entrega uma história genérica, cuja principal proposta é somente chocar e divertir. Proposta que impactou negativamente até Stan Lee, que na época fez fortes declarações contra a violência na HQ. Para se ter uma ideia, Fury chega a estrangular um sujeito com as próprias vísceras do sujeito. Nada especialmente chocante tratando-se de Garth Ennis e Darrick Robertson, que repetiriam a parceria anos depois na HQ The Boys, da Dynamite.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Azzarello erra a mão em "Homem do Espaço"


O lançamento da mais recente parceria da dupla Brian Azzarello e Eduardo Risso (concluída na edição 37 da revista Vertigo da Panini), veio cercada de uma expectativa extra, pois a edição brasileira saiu apenas com quatro meses de diferença em relação à americana, algo bastante raro de se acontecer nos comics. Porém, Homem do Espaço não sobreviveu bem ao longo de seus nove números, decepcionando as boas expectativas que eu havia depositado nesse material.

As credenciais da equipe criativa envolvida não sugeria que assim fosse. No final das contas, podemos concluir que em Homem do Espaço, Azzarello acabou sendo Azzarello demais. Claramente o roteirista pesou a mão naquilo tudo que lhe deu reconhecimento em 100 Balas: violência, diversos núcleos de conflito e linguagem coloquial. Principalmente nesse último aspecto.

Não se pode responsabilizar a linguagem usada como o principal problema da série, mas sem dúvida prejudicou bastante. Também não é o caso de culpar a tradução para o português (que, aliás, foi muito bem feita considerando o desafio). A culpa foi do próprio Azzarello que utilizou de uma infinidade de coloquialismos e neologismos que, de tão frequentes, deixou certos diálogos excessivamente truncados. Uma vez que o leitor percebe que está gastando mais tempo para decifrar as falas do personagens do que para prestar atenção na trama, surge o sinal de alerta de que algo não está legal.

Particularmente, nem mesmo depois das edições iniciais eu me acostumei com o estilo e o problema se estendeu por praticamente por todas as noves edições. Além disso, a série padece de outros problemas igualmente prejudiciais, como o excesso de twists. O roteiro possui tantos pontos de virada que em determinado momento tudo se torna um tanto irrelevante e quase sem efeito dramático. Em várias passagens, precisei retomar páginas para me certificar que estava ciente dos rumos da história, pois de cenas vazias de sentido há várias. Creio que se a minissérie poderia se virar bem dentro de cinco edições.

No entanto, há ponto positivos a serem mencionados, como a ótima retratação futurística construída. Parece bastante crível o modo como foi ela foi desenhada por Risso, com seu estilo noir e sombrio. A arte do autor argentino continua ótima e foi o que se salvou na minissérie, As capas assinadas por Jock também são ótimas.

Homem do Espaço
Spaceman #1-9
*** 5,5
Vertigo | dezembro de 2011 a outubro de 2012
Panini | Lançado na revista Vertigo 29-37
Roteiro: Brian Azzarello
Arte: Eduardo Risso

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

COLUNA | A Tirinha Nossa de Cada Dia

Eu sempre senti que as tirinhas de jornal formassem um mundo a parte dos quadrinhos em geral. Obviamente, há diferenças entre a produção de tiras e a de histórias em quadrinhos tradicionais, que vão desde a estrutura formal até ao aspecto do conteúdo. Aquelas precisam ser muito mais concisas do que estas, por exemplo. Talvez por isso poucos autores façam tão bem a transição entre os dois meios, sobretudo se formos excluir as tiras de super-herói, que caíram em extinção há vários anos.

Mas isso não deve ser visto com demérito. Sempre fui um apaixonado pelas tiras de jornal e sinto com pesar sua iminente extinção, acompanhando a derrocada da imprensa em papel. Nas últimas décadas, o espaço destinado a esse tipo de conteúdo tem diminuído cada vez mais, de forma que experiências como a proporcionada por Bill Watterson em Calvin e Harold nas páginas de domingo são quase impraticáveis no momento. A esperança é que a produção para internet se consolide e abra as portas para grandes materiais.

Na última década podemos ver alguns ótimos projetos nesse sentido. O primeiro exemplo que me vem a mente é Malvados, de André Dahmer, cujo sucesso foi tanto que o jornal Folha de S. Paulo passou a publicá-la na sua, cada vez mais minguada, coluna de tirinhas. Talvez sentindo a mudança dos tempos, artista há muito estabelecidos no cenário brasileiro, como Adão, Laerte e Fernando Gonsález passaram a focar na publicação na internet e em álbuns físicos.

É com esperança e expectativa que acompanho essa transição do meio de publicação das minha tão amadas tiras. Mas é com certo pesar que imagino um futuro onde não poderei acompanhar tiras tão queridas, como Mafalda, Hagar, Piratas do Tiête e Turma da Mônica em papel jornal. Era uma experiência quase sensitiva a que eu tinha com o jornal impresso e esses quadrinhos: o cheiro do papel, a sua textura, o som das folha sendo dobradas. Conferir logo de manhã a folha de quadrinhos era uma tradição minha e que pavimentou o meu caminho para os quadrinhos em geral. Enfim, como eu disse, trata-se de algo bem particular e que talvez poucas pessoas sintam o mesmo.

Certo é que os tempos mudam e novas experiências tomarão espaço, novas tiras serão produzidas e as antigas não serão esquecidas. Há também o risco disso tudo que escrevi acima ser só mais um devaneio de alguém que é mais rabugento do que deveria, afinal, os jornais continuam aí e os bons quadrinhos também. Vida que segue.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Eu li... Arzach

Arzach | Les Humanoides Associés | Nemo (jul/2011) | Roteiro e Arte Moebius

Moebius já era um autor consagrado quando decidiu levar sua carreira a um novo patamar. Arzach consistiu num dos primeiros passos do autor rumo a uma pegada mais autoral, distante do gênero mais popular pelo qual se consagrou, o faroeste, mais precisamente por Blueberry, faroeste pelo qual trabalhou por muitos anos. O álbum consiste em algumas historietas publicadas pela Métal Hurlant em 1975 e que são unicamente escoradas em sua arte, já que Moebius as concebeu sem diálogo algum, contando apenas com o plano gráfico para desenvolver sua narrativa. A propósito, a história foge totalmente do convencional, já que o autor francês faz questão de privilegiar as sensações em detrimento da razão.